O médico português Daniel Serrão, membro honorário da Academia Pontifícia para a Vida (Santa Sé), professor catedrático e investigador, faleceu hoje aos 88 anos de idade, vítima de problemas respiratórios.

O presidente da República Portuguesa evocou, em nota de condolências, uma “personalidade de assinalável dimensão cultural, um professor e investigador notável, que tanto contribuiu para a renovação da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e, depois, para a afirmação da Universidade Católica Portuguesa”.

“Particularmente relevante foi o seu papel pioneiro – com, entre outros, Luís Archer e João Lobo Antunes – para a importância académica e a autonomia disciplinar da Bioética”, refere Marcelo Rebelo de Sousa, em comunicado divulgado pela Presidência da República.

O chefe de Estado recorda que partilhou com o falecido médico “inúmeros desafios universitários e cívicos”.

As exéquias vão ser celebradas esta segunda-feira, pelas 09h45, na igreja Nossa Senhora da Lapa; o presidente da República será representado nas cerimónias fúnebres pelo presidente da Câmara Municipal do Porto.

Daniel Serrão, membro honorário da Academia Pontifícia para a Vida (Santa Sé), onde chegou a convite do Papa João Paulo II, em 1994, destacou-se pelo seu papel no desenvolvimento da Anatomia Patológica no país, a atenção ao sistema nacional de saúde e a reflexão, com reconhecimento internacional, na área da ética médica e da bioética.

O médico destacou-se pelas posições em defesa da vida, no debate público sobre temas como o aborto, a procriação medicamente assistida ou a eutanásia; em 2014, foi uma das 84 personalidades da sociedade portuguesa a subscrever um manifesto que exigia um referendo à lei da coadoção por pessoas do mesmo sexo.

Daniel dos Santos Pinto Serrão nasceu em Vila Real, no dia 1 de março de 1928 e licenciou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto em 1951.

Foi professor catedrático de Anatomia Patológica na Faculdade de Medicina do Porto e diretor do serviço de Anatomia Patológica do Hospital de S. João.

Nomeado por Conselho de Ministros, em 1996, para presidir ao Conselho de Reflexão sobre a Saúde, coordenou a elaboração de um Livro Branco ‘Recomendações para uma Reforma Estrutural da Saúde’, tendo algumas das propostas de recomendações para a sustentabilidade do sistema de saúde português vindo a ser introduzidas no sistema de saúde português.

Antigo dirigente da Associação de Médicos Católicos Portugueses, desempenhou igualmente os cargos de orientador de várias dissertações de mestrado em Bioética dos cursos da Faculdade de Medicina, Instituto de Bioética e Faculdade de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (UCP) e de professor nos mestrados de Bioética da UCP.

Daniel Serrão foi agraciado, em novembro de 2008, com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Santiago da Espada pelo então presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, reconhecendo o seu contributo para o desenvolvimento da bioética no país.

O Instituto de Bioética da UCP recorda, em comunicado, o “amigo” da instituição, prestando homenagem ao “seu testemunho e seu legado intelectual e humano”.

Vencedor do Prémio Nacional de Sáude 2010, Daniel Serrão assinou vários artigos de opinião na Agência ECCLESIA.

Fonte: Agência Ecclesia
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