Nutrição é assunto para mais saúde na Igreja

Dra. Gisela Savioli é Nutricionista com Especialização em Saúde da Mulher no Climatério pela Faculdade de Saúde Pública da USP, Nutrição Clínica Funcional e Fitoterapia. É membro do Conselho Brasileiro de Fitoterapia (CONBRAFITO), e do Institute for Functional Medicine (USA). Jornalista, escritora, articulista da Revista Canção Nova e Apresentadora do ‘Programa Mais Saúde’ pelo Sistema Canção Nova de Comunicação. O programa tem como objetivo levar à população informações de saúde, nutrição e utilidade pública. A convite da Revista Paróquias, Dra. Gisela, destaca nesta entrevista, pontos fundamentais para uma nutrição também oferecida aos sacerdotes e religiosos que estão atentos com a saúde nutricional, destacando exemplos que favorecem esse cuidado. Por isso, o leitor tem a oportunidade de esclarecer suas dúvidas nesta importante entrevista. Confira!

A senhora pode nos contar sobre como chegou a desenvolver um trabalho para os sacerdotes? Tem algum exemplo?

Tudo começou quando atendi alguns missionários e consagrados de uma comunidade católica que me procuraram com objetivo de emagrecimento. Qual não foi minha surpresa quando recebi um e-mail do diretor espiritual deles solicitando uma consulta também, pois tinha observado que além da perda de peso havia ocorrido também uma significativa melhora na “vida de oração”.  Em seguida, fui conversar sobre esse assunto pessoalmente com o Pe. Paulo Ricardo de Azevedo Júnior, pois já tinha assistido uma de suas pregações associando certos alimentos à vida de castidade. Depois de nossa conversa, ele decidiu passar pela experiência da ‘Nutrição Funcional’. O resultado foi tão positivo em sua saúde física, psíquica e espiritual que, a partir de então, se tornou um grande incentivador da nutrição funcional e divulgador do meu trabalho. Nessa época, Pe. Paulo era Reitor do Seminário Arquidiocesano de Cuiabá (Instituto Cristo Rei), em Várzea Grande/MT, e fizemos um trabalho muito interessante disponibilizando o protocolo da nutrição funcional que utilizo no consultório para os seminaristas que quisessem fazer a experiência também. Atualmente, Pe. Paulo Ricardo atua na evangelização através dos meios de comunicação, especialmente pela internet, é Vigário Paroquial na Paróquia Cristo Rei, na Arquidiocese de Cuiabá/MT e Professor do Instituto Bento XVI, da Diocese de Lorena/SP. Hoje atendo no consultório as mais diferentes realidades (leigos, missionários, sacerdotes, bispos e inclusive pastores), cujo objetivo não é apenas uma melhora física.  Depois de muito estudar e pesquisar pude entender como uma nutrição adequada pode nos levar a esse bem-estar em todas as dimensões humanas. Este é o tema central do meu mais recente livro “Alimente Bem Suas Emoções” (Edições Loyola) e da minha palestra em setembro no CONAGE.

Como melhorar a saúde dos clérigos, religiosos e religiosas? O que sugere?

Existem duas realidades que observo quando atendo missionários e religiosos: de um lado temos aqueles que só se importam com a vida espiritual relegando todo o restante a um segundo plano e, de outro lado, aqueles que se envolvem tanto com a missão que não “sobra” tempo para se dedicarem também à sua alimentação. Na verdade, as pessoas de um modo geral não colocam a nutrição entre suas prioridades. Muitas não sabem que trocamos 50 milhões de células todos os dias e que precisamos manter as outras 100 trilhões que formam o corpo humano. Para executar essas funções adequadamente nosso corpo precisa de pelo menos 44 diferentes nutrientes que vem da alimentação. Quando falo em alimentação, por favor, leia “comida de verdade e não produtos industrializados”. Para nosso corpo construir um neurotransmissor, por exemplo, a famosa serotonina são necessários seu precursor, um aminoácido chamado triptofano, mas para que ele chegue ao cérebro e se transforme nessa serotonina, precisa do que chamamos de ‘co-fatores’ que as vitaminas do complexo B (B1, B3, B5, B6 e B9) além de zinco, ferro, cálcio, vitamina C e o maestro de todos minerais: o magnésio. E o que isso tem a ver com a vida de oração? A serotonina é o neurotransmissor que traz ao nosso cérebro serenidade, bem-estar e isso faz toda a diferença em relação a nossa postura diante dos acontecimentos do dia a dia. Costumo dizer que nutriente dá inteligência às nossas emoções. O ‘copo de água pela metade está meio cheio ou meio vazio’ dependendo de como está sua alimentação e, é claro, sua absorção e metabolização, mas isso será tema para minha palestra. Dr. Roque Savioli fez a apresentação do meu livro e mostra, cientificamente, que os grandes pesquisadores atuais afirmam que a nutrição não pode ser negligenciada e que muitos antidepressivos não fazem o efeito desejado por falta de nutrientes.

O futuro de todo e qualquer sistema de atendimento à saúde depende de uma estratégia global: visão humanista e integração entre o conhecimento médico e os mais modernos conceitos de gestão. Como entender esse processo que hoje também a Igreja deve estar atenta?

Temos que olhar o ser humano por completo. Entendo que aquilo que comemos afeta nossa saúde nas três dimensões: física, psíquica e espiritual. Nesse sentido, Pe. Paulo Ricardo fala muito bem com seu testemunho sobre a experiência que fez com a nutrição funcional e que esta disponível por meio do YouTube e você, leitor, pode conferir através desse link: parte 1www.youtube.com/watch?v=RRflqSEGhNg e parte – 2 www.youtube.com/watch?v=1MO8D-_uFwA. Como se costuma dizer, palavras convencem, mas os testemunhos arrastam.

Em suas obras dedicas ao cuidado com a saúde nutricional, dentre elas, “Alimente bem suas emoções”, publicada pelas Edições Loyola, o que a senhora destaca como essencial para esse cuidado pessoal com a saúde?

No livro, além de explicar tudo o que prejudica nosso cérebro, como os famosos aditivos alimentares (corantes, conservantes, edulcorantes, realçadores de sabor) muitos proibidos no exterior, mas ainda permitidos aqui no Brasil, traduzo o que Deus nos coloca na sua Palavra. Sabia que está em Gênesis 1, 11-13 e 20-25 exatamente a forma como devemos nos alimentar? Leia e confira!

Ao mesmo tempo em que os pacientes são incentivados a incorporar na sua rotina hábitos de vida saudável e realizar exames preventivos pelo menos uma vez ao ano, como proceder em momentos em que, muitas vezes, o acesso ao serviço de nutrição ainda é pouco explorado e incentivado?

Infelizmente os planos de saúde destinam ao profissional um valor absolutamente irrisório. Uma pena não ser levado em consideração que muitos problemas futuros de seus usuários poderiam ser evitados se desde cedo houvesse uma orientação nutricional. Mas ao invés de reclamar vamos erguer as mangas e batalhar para fazer a diferença. As duas formas que encontrei foi estar disponível sempre que me convidam para palestras em momentos importantes, como será o Congresso de Gestão Eclesial, em setembro, em Aparecida/SP, e por meio do “Programa Mais Saúde”.

Costumo dizer que trabalho uma parte do dia para Deus e o restante para mim. Entre minhas atividades, está meu trabalho voluntário junto à ‘Comunidade Canção Nova’ à frente dos programas ‘Mais Saúde’ de rádio que é diário, ao vivo, de segunda a sexta-feira das 12h às 13h, horário de Brasília (aos sábados é o Dr. Roque que está no comando das 12h30 às 13h30), e o da televisão, que é gravado e apresentado sexta-feira das 13h às 13h30. O programa ‘Mais Saúde’ tem como objetivo ser uma extensão do meu consultório para aquelas pessoas que não podem se dar ao luxo de se deslocar até São Paulo para um atendimento particular. Nele falo de todas as novidades que acontecem nos congressos nacionais e internacionais sobre saúde e nutrição. Além disso, o programa tem toda uma preocupação em divulgar informações de utilidade pública e incentivar a população a participar de campanhas públicas, gratuitas, ressaltando a importância da prevenção na área da saúde. Prevenção é a palavra-chave para nossa saúde e isso se traduz em informação. É uma oportunidade para todos os religiosos e religiosas se unirem aos ouvintes e telespectadores em busca de mais informações sobre saúde e nutrição.

Como a maior parte dos clérigos ou dos religiosos e religiosas exercem um trabalho intelectual, mais sedentário, o que a senhora recomendaria para que se chegasse a uma vivência concreta do adágio: mens sana in corpore sano?

Lembro quando organizei a vinda do Papa Bento XVI ao Brasil e sua comitiva e soube que o Papa caminhava meia hora diariamente e rápido! Temos que seguir nosso pastor, portanto, temos que incorporar no dia a dia dos sacerdotes e religiosos, o que OMS (Organização Mundial da Saúde) preconiza hoje, sugerindo que façamos atividade física como um hábito de higiene. E aqui entra um grande auxiliar que eu utilizo no consultório e divulgo constantemente que se chama ‘pedômetro’. É um aparelho que a pessoa usa na cintura de modo que, ao longo do dia, ele contabiliza quantos passos deu. Ele é um grande sinalizador que confirma se a pessoa tem uma vida sedentária ou não. Saúde é como vida de santidade, temos que ficar atentos o tempo todo para não cair no pecado de fazer escolhas inadequadas. É orar e vigiar. Devemos procurar nos movimentar o tempo todo. Que tal rezar o terço caminhando e isso pode ser feito em grupo e aqui termino essa entrevista com uma sugestão às ordens religiosas, dioceses, comunidades.  Que tal lançar o mesmo slogan que fiz no início do Programa Mais Saúde em 2006, “dê um passo a mais por Jesus”.

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