O dízimo educa para a comunhão e a partilha

A pastoral do dízimo é essencialmente missionária. O objetivo é promover a evangelização de cada pessoa e da sociedade. Tanto quanto às demais pastorais, esta deve ser meio de santificação do cristão batizado. Só o cristão consciente da sua fé e da sua pertença a uma comunidade de fiéis é um dizimista autêntico.

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O dízimo precisa ser uma experiência da fé da pessoa que se abre à solidariedade. Se pode dizer que ele se configura no que São Tiago diz na sua carta: “a fé se não tiver obras é morta em si mesma. Poderá mesmo alguém dizer: Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras” (Tg 2,17-18).

Ele não pode ser tratado como expressão legal da “doação do dízimo segundo o costume”. O ponto central da conscientização do dízimo é a “conversão” para partilha (Cf. 1Cor 16,1-2; 2Cor 9,1-15). A dinâmica do dízimo é essencialmente comunitária. Ela não se sustenta como meio individual da prática da filantropia que, por sua vez, acarreta dois riscos:

  1. A manipulação das pessoas;
  2. A oferta comutativa, ou seja, a oferta do dízimo na expectativa de benefícios individuais.

A teologia da prosperidade, pregada pelas comunidades neopentencostais, e em algumas situações por grupos e padres católicos, está repleta desta prática. Para ser reconhecida como virtude cristã, o dízimo tem que ser expressão de amor e de liberdade interior. O que se observa na comunidade é que os dizimistas perseverantes são também os mais organizados economicamente.

As pessoas pontuais na doação do dízimo são mais organizadas internamente com suas responsabilidades. O dízimo é um fator de formação da pessoa. Por ser um cristão mais consciente, devido à escuta da Palavra de Deus e a vivência da mística sacramental, o dizimista torna-se também um bom cidadão.

O discurso de que quem é dizimista recebe o triplo é demagógico e desonesto. Como prática cristã, o dízimo nos forma para vivência das virtudes teologais (1Cor 13,1-13). As pessoas que na Igreja são dizimistas por simples simpatias, quando surgirem quaisquer dificuldades de relacionamentos, com o padre ou com outro membro da comunidade paroquial, logo deixarão de colaborar com o bem material e, consequentemente, com o bem espiritual da Igreja.

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Por fim, o dízimo precisa ser tratado como sinal de pertença eclesial. A vida do fiel que é discípulo de Cristo e, que, pelo seu batismo está consagrado e vinculado a Deus e a uma comunidade cristã se une completamente a todos os desafios econômicos, formativos, missionários e caritativos do Povo de Deus.

O cristão que ama a Jesus Cristo e a sua Igreja, na pessoa de cada irmão, será um dizimista feliz e comprometido com o projeto do Reino de Deus. Para o que é do Senhor nós guardamos e consagramos a melhor parte. Este é o sentido do dízimo. Assim o seja!

Pe. Matias Soares é Mestrando em Teologia Moral Gregoriana-Roma

Fonte: Revista Paróquias, ed. 22. Para ler mais matérias sobre dízimo e partilha, assine já: (12) 3311-0665,  (12) 99660-1989 ou [email protected]

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