Percebo uma linha mestra, desde meus tempos de padre jovem que pesquisava a comunicação das igrejas cristãs e a linguagem dos pregadores da fé. Houve nuances, mas ela permanece a mesma desde os reavivamentos ou “revivals” norte-americanos, aos carismáticos e pentecostais de hoje. É a linha do “passo a mais”. Aposta na generosidade do convertido, pede dele a ascese do “algo além do comum” e em troca oferece-lhe também, algo além do comum das igrejas: sentimento de pertença, cura e libertação e a certeza de um chamado especial.

Matéria extraída da Revista Paróquias – Leia e aprenda muito mais sobre Gestão Eclesial – ASSINE JÁ!

Nada de errado nisso. As igrejas de Cristo, todas elas começaram com este discurso: “Hei, você que sofre, você que está desanimado, você que não vê melhoras na sua vida, você triste e oprimido, Jesus ama você, ele tem um recado para você. Entregue seu coração para Jesus e sua vida mudará. Venha aos nossos templos e veja a glória de Deus operando milagres e curas porque os tempos apostólicos voltaram. Venha aos nossos templos e locais de encontro e um dos nossos pregadores renovados estará orando por divinas revelações”.

Um volumoso livro de Vinson Synan “O Século do Espírito Santo” e outros livros sobre o fenômeno do reavivamento cristão, esmiúçam o tema de maneira honesta e maravilhosa. Sim, Deus tem agido. Não, nem sempre o discurso positivo e libertador de almas tem o necessário desprendimento e a necessária pureza quando se fala para milhões de ouvidos e quando se arrecada bilhões de dólares. Aos poucos a tentação da superescolha acaba em vaidade, riquezas difíceis de explicar, exigências descabidas e otimismo sem fundamentos sólidos, pregadores transformados em semideuses da fé. Igreja alguma escapa dessa tentação de trocar a esperança pela certeza, do talvez seja pelo certamente é e será.

Em pouco tempo alguém está garantindo o que não pode garantir. Já não pedem, determinam… Marcam dia, local e hora para os milagres e garantem que Deus dá a quem dá. Os dez por cento dados a Deus tornam-se exigência cabal para a graça que virá. O trading, o marketing e o deal invadem os templos, o discurso que vem dos púlpitos se torna cada dia mais capitalista e a eficácia se transforma em marca registrada da fé. A fé eficaz derrota a fé capaz.

Pe. Zezinho, SCJ é Sacerdote da Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus – Dehonianos, Compositor, Escritor, Cantor, Professor, Radialista, Diretor e Criador de programas de televisão, entre outras atividades e especialização em Teologia e Comunicação.

Fonte: Revista Paróquias, ed. 47. Para ler mais matérias sobre homiletica, assine já: (12) 3311-0665 ou [email protected]

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