Se você não demonstrar interesse pela mensagem que transmite, jamais poderá exigir que os ouvintes se interessem e se envolvam por ela

A Revista Paróquias & casas religiosas entrevistou o Professor Reinaldo Polito, que traz informações sobre técnicas de falar em público, de como expressar oralmente suas competências.  Nesta  reportagem ele aborda os pontos clássicos que a questão “falar bem”:

A maior força de expressão de uma pessoa é a fala, associada a gestos e presença física, mas nem todo mundo nasce um orador. Como é que forma um orador que não nasceu pronto, Prof. Polito?

Essa história de orador nascer pronto, de maneira geral, serve como boa desculpa para aqueles que têm dificuldade para falar em público. É simples dizer que sendo um dom natural, os “excluídos” pela natureza nada podem fazer e assim ficam com a consciência tranquila. Boa vontade e dedicação superaram as deficiências para falar em público.

Quais são as mais frequentes dificuldades que as pessoas que procuram aprender a falar em público costumam apresentar?

 Os três maiores problemas das pessoas que querem aprender a falar em público são: o medo de enfrentar plateias, a falta de concatenação lógica do raciocínio e defeitos da expressão corporal. Para combater o medo é preciso conhecer bem o assunto que irá tratar, organizando as etapas da apresentação. Para resolver o problema da expressão corporal, vários pontos são importantes; falaremos deles nas próximas edições da revista. Uma dica que já posso adiantar é não ficar apoiado ora sobre uma perna ora sobre a outra, para não passar a idéia de insegurança e desconforto.

A impostação de voz passa muitas mensagens implícitas? Como trabalhar a entonação para que a mensagem que se quer transmitir seja entendida pelo espectador?

 O orador não pode falar em “amor” (com suavidade) da mesma maneira como fala em “ódio” (com energia); assim como não pode falar em “longo” (esticando as pronuncia das sílabas) da mesma forma como pronuncia “perto” (estreitando mais a pronúncia). A voz deve interpretar a mensagem de acordo com o sentimento que a palavra precisa expressar. Assim como o orador deve destacar as palavras que identificam a informação mais importante. Para isso, pode pronunciar “pau-sa-da-men-te”, as sílabas.

Quais as principais dicas para preparar um discurso ou uma aula?

 O preparo de qualquer discurso deve ser feito, de preferência, a partir de um treinamento oral. De nada adianta escrever o que se pretende dizer, se o orador não falar sobre o assunto. Escrever é uma atividade, falar é outra completamente distinta. O ritmo, a cadência, a construção das frases são muito diferentes. Se alguém precisa apresentar um projeto profissional ou acadêmico, ou um trabalho escolar, a melhor forma de se preparar é reunir um grupo de pessoas e conversar bastante sobre o assunto. Não existe exercício mais eficiente do que este.

Que conselho final poderia ser dado?

 O melhor conselho que posso dar a quem precisa falar em público é – seja natural. Quanto mais natural e espontâneo você for em sua comunicação, mais eficiente será o resultado de suas apresentações. Além disso, fale sempre com entusiasmo sobre os temas que apresentar. Se você não demonstrar interesse pela mensagem que transmite, jamais poderá exigir que os ouvintes se interessem e se envolvam por ela.

 

Reinaldo Polito é professor de Expressão Verbal, Palestrante e Escritor; pós-graduado em Comunicação Social pela Fundação Cásper Líbero, em Administração pela F.G.V. e em Administração Financeira pela Faculdade de Ciências Econômicas de São Paulo.  Coleciona também a autoria de livros valiosos, entre os quais, “Como falar corretamente e sem inibições” obra, no gênero, mais publicada na história do país.

 

Fonte: Revista Paróquias & Casas Religiosas

ASSINE: www.revistaparoquias.com.br

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