O que muda nas celebrações no período da quaresma

Na Quaresma revivemos o período de quarenta dias em que Jesus permaneceu no deserto. O período é marcado pela penitência e oração em preparação para a chegada da Páscoa.

Começa na Quarta-Feira de Cinzas, dia de jejum e abstinência; dia também da abertura da Campanha da Fraternidade, e vai até o Tríduo Pascal (Quinta-Feira Santa).

Na Quarta-feira de Cinzas não há ato penitencial, pois ele é substituído pela imposição das cinzas, não se diz o “Creio”, e muito menos o “Glória”. Não se canta o “aleluia” em hipótese alguma, nem mesmo nas solenidades e festas, desde a Quarta-feira de Cinzas até a Vigília Pascal.

Já o canto do “glória” é permitido somente nas solenidades e festas, que nunca devem ocorrer no domingo e o “Creio” é permitido somente nas solenidades e nos domingos da quaresma.

A cor litúrgica é o roxo, que representa esperança e penitência. Não se orna o altar com flores, e o toque dos instrumentos, como a bateria, somente é permitido para sustentar o canto, ou seja, dar tom e ritmo simples, com exceção do domingo “Laetare” (4º domingo da Quaresma) e solenidades ou festas que ocorrerem nos dias das férias quaresmais, como Cátedra de São Pedro (22 de fevereiro), São José (19 de março) e Anunciação do Senhor (25 de março).

Sobre as palmas, é preciso lembrar que a maioria dos cantos litúrgicos nesse período visam levar o povo à meditação, no sentido de buscar o perdão e a conversão. Então é bom sempre evitar bater palmas nesses tipos de cantos, mesmo se tratando, às vezes, do canto de entrada.

Já o Laetare, chamado também de domingo da alegria, é uma exceção na Quaresma, a começar pela cor litúrgica usada, o rosa, que significa alegria. Somente nesse dia pode-se ornar o altar com algumas flores, o canto pode ser mais entusiasmado e os instrumentos podem fazer alguns arranjos e arpejos, mas sem exageros, de modo que não se perca o sentido litúrgico e não se deixe confundir com a Páscoa.

OS CANTOS NA QUARESMA

Recentemente eram usados os cantos da Campanha da Fraternidade para a Quaresma, mas desde o ano de 2005, a CNBB interferiu significativamente na seleção dos cantos quaresmais. Começaram a ser usados cantos com referência ao tempo litúrgico, e usam-se os cantos de campanhas anteriores quando a liturgia permite.

Na quarta-feira de cinzas, 1º, 2º, 3º e 5º. domingos e nas férias da quaresma, os cantos devem ser tocados de forma “simples e suave”, de modo que o povo entre num espírito de oração e conversão, visando buscar o perdão e a salvação por meio da penitência e do jejum. Essa forma simples e suave não significa que os cantos tenham que ser “mortos”. Pelo contrário, a suavidade seria “com moderação” e a simplicidade seria “com o mínimo possível de arpejos e floreamentos (arranjos)”. Com a intensificação dessa “suavidade” dos cantos, o povo interioriza melhor a música e consequentemente medita melhor a mensagem da letra, buscando assim o perdão e a conversão.

Esses critérios permitem orientar os fiéis a realizar uma meditação adequada ao período quaresmal, levando a uma maior proximidade e entendimento deste importante período litúrgico.

Fonte: Roger Alvarenga – Paróquia Matriz São Benedito / O Mensageiro
Texto: Lu Bacheschi

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