“A Catequese foi sempre considerada pela Igreja como uma das suas tarefas primordiais, porque Cristo Ressuscitado, antes de voltar para junto do Pai, deu aos Apóstolos  uma última ordem: fazerem discípulos de todas as nações e ensinarem-lhes a observar tudo aquilo que Ele lhes havia mandato” (CT, 1)

A Igreja sempre obedeceu a este mandato, embora de maneiras diferentes. O Evangelho foi anunciado em Jerusalém, em toda a Palestina, na Ásia Menor e em Roma, capital do Império Romano. Depois do ano de 313, o mesmo Evangelho foi anunciado em toda parte, chegando também nas nossas terras latino-americanas.

Na segunda metade do século passado, com as Exortações Apostólicas “Evangelii Nuntiandi” e “Catechesi Tradendae”, aprendemos a distinguir entre primeiro anúncio (Kerigma), aprofundamento (catequese), homilia, estudo sistemático.

O ponto em comum destas várias distinções é a Palavra de Deus, especialmente a Boa Nova, anunciada por Jesus e proclamada hoje pela Igreja, nas suas várias formas.

O último Sínodo nos alertou sobre a necessidade de considerar a PALAVRA na sua inteireza, isto é: Bíblia, Tradição e Magistério. E a mensagem final do encontro dos bispos em Roma, é anunciada por estas imagens, que simplesmente edificam nosso trabalho pelo Reino de Deus:

– Criação, primeira Palavra de Deus.

– Jesus, Palavra encarnada.

– Igreja, casa da Palavra.

– Caminho, como compromisso perene e de todos para levar a Boa Nova a todos, em todos os tempos e em todos os lugares.

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Um novo Kairós

Desde a preparação da V Conferência, as duas palavras “discípulos” e “missionários” ressoam aos nossos ouvidos como um apelo urgente.

Somos convidados a nos colocar a caminho, com os Discípulos de Emaús, para experimentar a alegria de nos encontrar com o Cristo Ressuscitado e receber d’Ele o entusiasmo para anunciar que Ele está vivo, conosco, e nos impulsiona a levá-lo aos irmãos.

Esta experiência deve ser feita nos vários níveis: paroquial, diocesano, regional e nacional. É claro que não pode tratar-se só de iniciativas, que ficam fora de nós. A ‘conversão pastoral’ a que convida o Documento de Aparecida, significa não pensar que já somos discípulos, só pelo fato que frequentamos a Igreja. Todos, então (Bispos, Padres, Religiosos, Leigos) temos que pôr-nos a caminho.

E não interessa a situação que estamos vivendo. Jesus tem a Palavra certa para cada um e cada situação. Os dois, que iam para Emaús, estavam tristes, abatidos, desiludidos e o encontro os transformou. Assim será para nós, com certeza.

Neste caminho, o que nos ajudará será a escuta e a refeição.

Escuta

A Leitura Orante da Bíblia vai nos acompanhar, para entender o que Ele quer nos dizer em cada momento da nossa vida.

Os grupos de reflexão ajudarão o nosso povo a entender e saborear a Palavra de Deus.

A escuta comunitária, nas celebrações, será outro grande meio para o encontro.

Refeição

No partir do pão, os olhos se abriram e reconheceram Jesus: é a Eucaristia.

Aqui vem espontânea uma pergunta para avaliação: até agora a quantas Eucaristias participamos?  Podemos dizer que cada Eucaristia é um encontro sempre mais profundo com  Jesus? Porque, então ficamos sempre os mesmos e a nossa configuração ao Cristo não é perfeita?

 

Os dois discípulos eram um casal?

Parece que sim: conhecemos só o nome do homem (Cléofas), fato que manifesta a mentalidade machista da época. Chegando em Emaús, vão à própria casa. Portanto, é mais que justificada a interpretação que se trate de um casal.

Isso é importante para uma última reflexão: as famílias são convidadas a fazer entrar Jesus na própria casa, a acolhê-lo, para se tornarem missionárias, da vida e do amor.

 

Dom Antonino Migliore é Bispo Titular da Diocese de Coxim/MS.

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