Papa Francisco: a tocante carta-resposta escrita a dois franciscanos na Síria
Foto: ProTerraSancta.org

Os frades tinham escrito ao Papa sobre as dores e bênçãos da sua missão naquela terra martirizada

O Papa Francisco enviou uma carta, nesta quarta-feira, 28, aos padres franciscanos Hanna Jallouf e Louai Bsharat, que vivem na Síria, em resposta a uma carta-testemunho escrita por eles ao Santo Padre.

Em seu relato, os frades tinham compartilhado o sofrimento dos cristãos e de todo o povo sírio, que enfrenta há anos uma devastadora guerra civil e o seu consequente panorama de caos, violência, fome e morte, que tanto desafia as nossas virtudes cristãs da esperança, da fé e da caridade.

A resposta do Papa Francisco aos frades na Síria foi publicada pelo site da Custódia da Terra Santa.

Veja também:
Papa Francisco recordou família católica exterminada porque ajudou os judeus
Papa Francisco: Nossa Senhora não pode ser a mãe dos corruptos

Eis a reprodução do texto:

D.S.M., 19 de novembro de 2018

Caríssimos Padre Hanna e Padre Louai,

Agradeço pela carta que me faz participar de vosso testemunho na sofrida terra da Síria. Desejo participar de vosso sofrimento e dizer-vos que estou próximo de vós e das comunidades cristãs, tão provadas pela dor vivida na fé em Cristo Jesus. Quanto sofrimento, quanta pobreza, quanta dor de Jesus que sofre, que é pobre, que é expulso de sua Pátria! É Jesus! Isso é mistério. É nosso mistério cristão. Em vós e nos habitantes da amada Síria nós vemos Jesus sofredor.

Nada mais que o martírio pode marcar a maneira própria do cristão de participar na história da salvação da humanidade. Os mártires levam avante o Reino de Deus, semeiam cristãos para o futuro, são a verdadeira glória da Igreja e nossa esperança. Esse testemunho é um alerta para não nos perdermos em meio à tempestade. Não poucas vezes o mar da vida nos reserva tempestade, mas das ondas existenciais nos chega um sinal inesperado de salvação: Maria, a Mãe do Senhor, atônita, em silêncio, olha para o Filho inocente crucificado, que enche de sentido a vida e a salvação do povo.

Asseguro-vos a constante lembrança na comunhão eucarística a fim de que a indizível dor se transfigure na divina esperança, que o Apóstolo Paulo nos confirma na Epístola aos Romanos: “Quem nos separará do amor de Cristo? Acaso a tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, a espada? Como está escrito: ‘Por tua causa somos condenados à morte cada dia; somos tidos como ovelhas para o matadouro’. Mas em tudo isto somos mais que vencedores, graças Àquele que nos amou“.

Imploro a Nossa Senhora que vos guarde sob o seu Manto de Graças e interceda para vós o dom da perseverança. Abençoo de coração a todos vós e a todas as famílias cristãs que foram confiadas à vossa corajosa guarda.

Por favor, continuai a rezar também por mim.

Franciscus

Fonte: Aleteia
Compartilhe:

Faça um comentário