A paróquia formando e treinando comunicadores comprometidos . Comunicação e Evangelização

Comunicação e evangelização caminham juntas. E para ser um bom comunicador o sacerdote ou o líder comunitário, devem conhecer os meios possíveis para se comunicar. Mas o conhecimento vem do estudo, da dedicação e da preocupação com o contexto onde acontece a comunicação. Para o teórico Chaim Perelman, ninguém convence ninguém se não estiver antes convencido daquilo que quer convencer. Se o religioso ignora a realidade do lugar onde vive, certamente não saberá se comunicar adequadamente.

Conheça o CONAGE – Congresso Nacional de Gestão Eclesial

Muitos exemplos mostram que os féis voltam a frequentar a Igreja quando percebem que alguém se preocupa com eles. Também se interessam mais pela homilia quando o pregador revela conhecimento dos assuntos relacionados com o dia a dia da comunidade. Outro teórico, Hakira Osakabe, vê uma espécie de “comunhão” entre aquele que fala e aquele
que ouve quando o assunto está referenciado na vivência da comunidade. É o que outros chamam de Teoria do Encaixe. O orador está prendendo a atenção dos ouvintes e eles estão acompanhando o seu raciocínio, a sua argumentação, tal como ocorre nas apresentações de precisão de uma esquadrilha: os pilotos são treinados para “copiar” o voo do avião-líder.

Isso quer dizer que cada homilia deve ser uma peça oratória, uma demonstração de cultura? Preciso ter uma linguagem erudita para me comunicar?
Naturalmente isso se relaciona com a definição do público-alvo. O comunicador precisa conhecer o seu público, deve saber, todo o tempo, “com quem está falando”, no sentido sociológico da expressão. Pode ser que alguns atos religiosos comportem um linguajar mais sofisticado. Entretanto, de um modo geral, é na simplicidade que a comunicação
colherá os seus melhores frutos e resultados mais eficientes.

Leia também:
Ética na sociedade atual: crise de valores e moralidade
Coesão organizacional e espiritualidade na gestão eclesial

Exemplo de comunicação

O maior comunicador de todos os tempos, Jesus, usava essa linguagem simples que atendia ao contexto do público-alvo de sua época constituído de agricultores, pescadores, comerciantes, cobradores de impostos, prostitutas, sacerdotes, soldados
romanos, etc. Ensinava por parábolas e assim era entendido, porque a parábola é uma imagem que se fixa na mente dos que ouvem (e que hoje chamamos de receptores).

Conheça o CONADIZ – Congresso Nacional da Pastoral do Dízimo e da Partilha

Um levantamento das marcas semânticas do texto, na comunicação de Jesus, facilmente vai identificar palavras que as pessoas daquela época conheciam bem porque se referiam ao seu dia a dia, como no Evangelho de Mateus: traça, ferrugem (6,19-20); lírios, aves (6,26-30); ouro, alforge, sandalhas (10,9-10); fermento, farinha (13,33); rede, peixes, praia (13, 47-48); lavradores, vinha, cerca (21,33); bodas, servos, touros, rei, banquete (22, 2-9); escribas, pergaminho, viúva, hortelã, sepulcro (23, 2-27), pastor, fome, sede, cárcere, enfermo (25, 32-38), alabastro, bálsamo (26,7), etc.

Além do discurso ancorado na realidade dos paroquianos, o sacerdote também pode desenvolver algumas medidas práticas para conhecer melhor a comunidade e até para trazer de volta os fiéis.

4 medidas práticas e importantes:

  1. Reúna as pastorais;
  2. Proponha um trabalho de aproximação com a comunidade;
  3. Abra o debate para levantar ideias, sugestões, iniciativas;
  4. Deixe que as pessoas participem dos projetos comunitários.

Assim, esses pressupostos ajudam a fortalecer a missão da pastoral da comunicação, porque atendem às diversas situações do cotidiano paroquial e comunitário.

Pedro Celso Campos é Professor de Jornalismo na Universidade Estadual Paulista-UNESP / Bauru. Doutor em Ciências da Comunicação pela USP e Pós-Doutorado na mesma área pela Universidade de Sevilha-Espanha. No mestrado, discutiu a comunicação na Igreja Católica.

Fonte: Revista Paróquias, ed. 17. Para ler mais matérias sobre Comunicação e Evangelização, assine já: (12) 3311-0665,  (12) 99660-1989 ou [email protected]

Faça um comentário