Por uma equipe catequética e administrativa na Pastoral do Dízimo
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Por uma equipe catequética e administrativa na Pastoral do Dízimo

A Pastoral do Dízimo é realidade em quase todas as paróquias e suas comunidades na Igreja do Brasil. Apesar disso, na maioria dessas paróquias, a arrecadação é insuficiente para sua autossustentação. Por quê? Porque apesar de muito se falar sobre dízimo nos últimos 40 anos, na Igreja do Brasil, estamos, ainda, em processo de formação por uma cultura comunitária de corresponsabilidade e pertença. O que exige uma compreensão ampla e adaptações à realidade dessa prática de tempos em tempos.

Essa compreensão deve acontecer, primeiramente, no coração e no saber dos sacerdotes e agentes da pastoral, para que esses conscientizem aos fiéis em geral. Equipes que temem mudanças inibem a formação por uma nova cultura; sacerdotes que não respondem às exigências administrativas neutralizam a ação das equipes.

Testemunho
Em meus mais de 20 anos como leigo missionário, pude observar, participar e me adaptar às diferentes fases que a pastoral foi assumindo. Recordo-me quando as equipes eram compostas de pessoas bem intencionadas e com um único objetivo: melhorar as arrecadações. Para tanto, tornaram-se arrecadadores do dízimo, buscando-o, não raras vezes, de porta em porta.

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Ouvi muitos casos de pessoas que não frequentavam a comunidade, mas que se sentiam em dia com a Igreja por mandarem o seu dinheiro para lá. Há ainda, casos interessantes como o de pessoas de outras religiões que contribuíam porque mantinham laços afetivos com o arrecadador. Para espanto nosso, houve padres que premiavam os melhores arrecadadores do mês com brindes. Passado tão próximo e ao mesmo tempo tão distante das exigências atuais.

Novos tempos
Os anos se passaram, outras exigências surgiram e as equipes se adaptaram a realidade e se reorganizaram, surgindo os plantões do dízimo nas celebrações. Os carnês e fichas cadastrais. Um avanço que propiciou maior contato e melhor participação dos fiéis, além é claro de melhores controles. O foco do anúncio passou a ser o coração do fiel e não mais seu bolso. À medida, porém, que os fiéis foram se conscientizando, aumentaram suas exigências, como: transparência na prestação de contas, participação do dízimo nos afazeres pastorais, investimentos na formação, etc. O dízimo ocupou espaço nas reflexões pastorais, nos estudos bíblicos, exigindo das equipes maior conhecimento sobre o tema.

A Pastoral do Dízimo é Catequética e agora também administrativa. Além da missão de despertar e conscientizar os fiéis à devolução do dízimo a equipe deve ter visão e comportamento administrativo.

Não raro encontramos equipes que nada sabem sobre o destino dos recursos que entram na paróquia. Quando questionados pelos fiéis no plantão respondem: – isso é responsabilidade da equipe econômica, nós não sabemos de nada. Há inclusive membros da pastoral que se sentem desconfortáveis em falar sobre os assuntos econômicos. Essa postura equivocada precisa ser reparada para que nossas paróquias tenham como sustentar sua missão evangelizadora e continuar o processo de formação por uma nova cultura de autossustentação da Igreja.

Visando sanear os problemas administrativos e almejando o trabalho em conjunto, faz-se necessário que as equipes do Dízimo, conselho econômico, equipe de festas e construções e o Conselho Paroquial de Pastoral caminhem juntos. As atividades podem e devem ser distribuídas e que cada grupo desempenhe suas atividades eficiente e eficazmente. Mas para o bem comum e resultados satisfatórios a todos, a unidade e o trabalho em equipe são fundamentais.
A partilha responsável é o caminho para a libertação e dignificação de nossas paróquias. Os desafios na conscientização sobre a devolução dos dízimos são enormes, mas não intransponíveis. Os fiéis devem receber todas as informações necessárias que o façam perceber sua ação missionária na vida da Igreja e na sociedade.

3 passos para a partilha responsável


1.Valorize o dizimista.
2. Preste conta, não apenas contábeis, mas mostrando a eles o que os recursos tornam possível ser feito.
3. Catequese – serviços pastorais – ações sociais – manutenção e preservação de patrimônio, etc. Leve-os a participarem de todas as ações da paróquia por serem dizimistas. Ou seja, para cada encontro de catequese, em cada celebração realizada, em cada retiro de espiritualidade ou cursos e treinamentos, eles estão presentes, pois eles é que tornam possível a realização da Missão evangelizadora.

Aristides Luís Madureira é Diretor da Editora A Partilha, Autor de várias obras dentre elas destacam-se: A novena do dizimista, Dízimo mirim, Dízimo e as obras de misericórdia, publicados pela Editora A Partilha.

 

Fonte: Revista Paróquias, ed. 16. Para ler mais matérias sobre gestão eclesial, assine já: (12) 3311-0665,  (12) 99660-1989 ou [email protected]

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