Pastoral do Dízimo: responsabilidade de todos na paróquia

Para obter uma Pastoral do Dízimo que incentive a responsabilidade de todos na paróquia, é imprescindível que os agentes trabalhem e fomentem o dízimo em uma estrutura que de maneira conjugada favoreça o intercâmbio de informações e de responsabilidades.

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A figura do agente é a base de sustentação de uma Pastoral do Dízimo que pretenda ser inserida na vida da comunidade. Por isso, é fundamental ter bem claro que é essa pessoa, como ela é formada, no que ela pode contribuir e como ela deve se sentir nessa missão. Atentar para essas questões possibilita a melhor visualização e contextualização desta engrenagem que, junto com as outras, dão movimento à vida eclesial. Novamente minha história serve como pano de fundo para este artigo. E olhar a atuação dos agentes de minha comunidade de origem, é relembrar a atuação de meus pais, por um bom tempo, como agentes do dízimo.

O agente de pastoral e suas atribuições

O agente do dízimo é a pessoa responsável para visitar as pessoas que contribuem com o dízimo e nesta visita faz-se o recebimento do dízimo. Nesse sentido, esta pessoa deve ter disponibilidade de tempo para uma ou duas vezes no mês, sair e ir ao encontro de cada dizimista. Esta visita deve ser encarada como um momento em que a Igreja vai ao encontro do fiel, seja para escutá-lo ou para verificar se existe alguma necessidade espiritual ou material. Sob esta ótica o agente, em hipótese alguma, é um coletor de impostos ou um cobrador. Dessa forma, a pessoa indicada para este serviço, é aquela que possui capacidade para conversar, fazer amizades e ter possibilidade de apresentar com transparência os motivos que levaram aos gastos da comunidade.

A formação para este serviço passa por uma compreensão das atividades e dos gastos que a comunidade tem, bem como os meios e mecanismos necessários para aproximar o fiel de uma pastoral específica ou, se necessário, do próprio padre. Para os momentos formativos são necessários poucos encontros, ou seja, um por semestre para que alguma temática seja abordada e, de preferência, pelo pároco. Este é um momento para aproximar o pároco dos agentes que precisam ter a mesma sincronia que os dedos têm com a palma da mão, quando esta precisa agarrar algo.

O conteúdo da formação não precisa ser de cunho dogmático e sistemático, contudo, precisa ser fundamentado na Palavra de Deus para ter incidência no cotidiano da comunidade. Atentar para a formação espiritual e humana é munir o agente de respostas que lhe darão segurança e estímulo para a conversa que acompanha a visita às casas dos dizimistas.

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O que o agente do dízimo pode realizar

A maior e melhor contribuição que o agente do dízimo pode dar a uma comunidade, é a sensação de unidade e de pertença a uma comunidade eclesial. Esta sensação é fruto das visitas que o agente faz a cada mês, pois ela é encarada como a Igreja que vem à minha casa. O dizimista percebe e assume com a conversa a importância que sua contribuição terá para a manutenção do templo e no atendimento às necessidades das pessoas.

A Igreja é detentora de um grande peso moral de confiança por parte dos católicos e não católicos. Dessa forma, tanto o agente como o dizimista percebe que sua atitude é mais do que uma ação de favorecimento de um grupo e sim de fortalecimento da comunidade. Outra contribuição que o agente do dízimo pode oferecer é a de ser porta voz dos avisos e comunicados da comunidade. Em paróquias onde as atividades são programadas com um mês de antecedência, os agentes conseguem fazer chegar de maneira personalizada, os avisos e gestos de reconhecimento pela atitude de gratidão demonstrada na entrega do dízimo.

Por fim, o agente deve sentir-se como aquele que aproxima as pessoas na comunidade eclesial, pois é notório que a quantidade acaba desfavorecendo a qualidade do serviço religioso prestado pelo atendimento paroquial ordinário. Este atendimento é melhorado porque o agente percebe que pode favorecer a comunhão, ou seja, que seu serviço vai muito além do recolhimento do dinheiro do dízimo, pois é fomentador e propagador do senso de pertença a uma fé. A responsabilidade assumida não é um peso, pois a visita deve ser regada pela fé que se tem na comunhão existente da identidade de ser cristão, mas também na capacidade de ser grato com Deus.

3 principais atitudes que o agente do dízimo deve observar

  1. O agente do dízimo precisa, por questão de testemunho, ser um dizimista fiel e consciente;
  2. Acreditar no dízimo como uma atitude de gratidão a Deus é fundamental para o despojamento e realização do agente;
  3. A fecundidade do trabalho do agente estará intimamente ligada à capacidade que ele tiver de se multiplicar em outros agentes, pois todo dizimista é um agente em potencial.

E retomando minha história, uma das características que mais marcaram minha infância é a habilidade que minha mãe, agente do dízimo por 25 anos, tinha de estimular os dizimistas, pois que cabia a ela realizar a visita, em outros agentes. Dessa forma, a quantidade de pessoas visitadas diminuía e a qualidade da visita aumentava.

Pe. Daniel Aparecido de Campos, SCJ é Especialista em Direito e Gestão Educacional (MBA) pela Escola Paulista de Direito – EPD e Graduado em Administração na Universidade de Taubaté – UNITAU, Ministra curso de Eneagrama (Ferramenta de autoconhecimento) e foi vice-presidente da Associação Dehoniana Brasil Meridional – ADBM. Coordenador dos cursos de Graduação Bacharelado em Administração de Empresas e Pós-Graduação Latu Sensu em Gestão Religiosa e Paroquial da Faculdade Dehoniana e membro do Conselho de Conteúdo da Revista Paróquias.

Fonte: Revista Paróquias, ed. 38. Para ler mais matérias sobre Pastoral do Dízimo, assine já: (12) 3311-0665, (12) 99660-1989 ou [email protected]

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