Foto: Dener Chimeli
Foto: Dener Chimeli

Dentro do Rito Romano, o latim é a língua oficial da Missa, que normalmente é traduzida para a língua vernácula. No entanto, uma frase dentro da liturgia se destaca, pois as palavras não estão em latim, mas grego.

Durante o rito penitencial (no início da missa), o sacerdote às vezes diz ou o cantor entoa o “Kyrie eleison” (“Senhor, tende piedade”). Mas por que essas palavras gregas nunca foram traduzidas para o latim?

De acordo com a Enciclopédia Católica, “a liturgia em Roma, durante algum tempo, era rezada em grego (até o fim do século II, aparentemente)”. A este respeito, as palavras gregas lembram nossas origens. O Novo Testamento foi originalmente escrito em grego e essa foi a língua que os apóstolos usavam para evangelizar judeus e gentios. Na verdade, a Divina Liturgia das Igrejas Orientais, que mantém as formas antigas, incorpora a frase “Kyrie eleison” (ou o seu equivalente em outras línguas, como o esloveno), em muitos lugares ao longo da Missa.

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Alguns estudiosos, no entanto, acreditam que as palavras “Kyrie eleison” não foram um remanescente do grego, mas adicionadas séculos mais tarde ao Rito Romano. Isso significa que a inclusão dessa expressão Missa em latim foi deliberada e significativa.

Acredita-se que a principal razão pela qual a frase “Kyrie eleison” não foi traduzida para o latim é que as palavras perderiam seu significado original. O livro Orthodox Worship (“Adoração Ortodoxa”) descreve o verdadeiro significado da frase:

“A palavra piedade em inglês (mercy) é a tradução da palavra grega ‘eleos’. Essa palavra tem a mesma raiz da palavra grega para o óleo, ou mais precisamente, óleo de oliva – uma substância que era amplamente utilizada como agente calmante para hematomas e pequenas feridas […] A palavra hebraica que também é traduzida como ‘eleos’ e piedade é ‘hesed’, cujo significado é ‘amor firme’. As palavras gregas para ‘Senhor, tem piedade’ são ‘Kyrie, eleison’, que significam: ‘Senhor, acalma-me, consola-me, tira minha dor, mostra-me o seu amor firme’. Assim, a piedade não se refere tanto à justiça ou à absolvição, mas à infinita bondade amorosa de Deus e sua compaixão por seus filhos sofredores! É nesse sentido que rezamos ‘Senhor, tende piedade’, com grande frequência ao longo da Divina Liturgia”.

À luz desta explicação, a frase ganha vida e destaca a beleza e a profundidade da misericórdia de Deus. Isso mostra um Deus amoroso que quer amarrar nossas feridas, já que ele é o Médico Divino. Ao invés de ficarmos na frente de um tribunal no início da Missa, pedindo a piedade de um poderoso juiz, estamos cara a cara com um Deus compassivo, que está pronto para nos segurar quando caímos.

Enfim, embora pareça estranho pronunciar palavras gregas na Missa, temos que lembrar que a Igreja escolheu essas palavras há séculos especificamente por seu significado profundo e poderoso.

Fonte: Aleteia

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