Presbíteros, cuidai-vos uns dos outros!

A vida e o ministério dos Presbíteros estão sendo colocados em dúvida constantemente. Depois do Ano Sacerdotal (2009-2010), com a divulgação midiática dos escândalos de abusos sexuais e administrativos, cometidos por parte de “alguns” membros do Clero, o efeito cascata tem sido avassalador. Bento XVI e, agora, o Papa Francisco assumiram a prerrogativa da “tolerância zero” para estes casos de desordens humanas e morais que alguns destes indivíduos cometeram e que, sem dúvida, ainda poderão fazê-lo.

Sem renegar a justiça, nem assumir uma postura clericalista, nós, Presbíteros, precisamos entender que uma das características do secularismo atual é o seu anti-clericalismo. Acompanhado a visita feita pelo Papa Francisco ao Oriente Médio, mesmo sendo um acontecimento marcante da história da Igreja e do Diálogo Interreligioso da contemporaneidade, percebi que foi dada mais importância à fala do Papa no seu retorno à Roma, sobre questões morais ligadas aos Presbíteros, do que o extremo significado da visita do Pontífice para a conjuntura global.

Os Presbíteros precisam pensar na importância do que estamos vivendo neste momento da história e o que seremos num tempo não tão distante. O futuro exigirá muito mais de cada um de nós. Mais do que nunca, necessitamos da “sinodalidade presbiteral”. Há a urgência da “via do cuidado”. Ou trabalhamos a vida presbiteral, tendo em vista o nosso bem comum, ou nos tornaremos cada vez mais “vulneráveis”. Muitos já estão vivendo dramas existenciais, econômicos, sociais e salutares, tremendos.

Já defendi em outro momento a importância da experiência das “células sacerdotais/presbiterais”. Depois de participar de uma semana de espiritualidade promovida pelos Padres do Prado, reitero essa metodologia da importância da vida e do trabalho em “Equipes Presbiterais”. O aprofundamento espiritual, pastoral, intelectual e humano pode e precisa ser permanente em nossas vidas e ministérios. Nesta hipermodernidade, isso não é só uma opção, é um caminho a ser percorrido.

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Existem muitas dificuldades para que essas possibilidades sejam levadas a sério. A pior delas é a docilidade ao significado da “Conversão”, não só para os outros, mas para cada um que compõe o Presbitério de uma Igreja Particular. Há tantos fenômenos contraditórios em nosso meio. A mundanidade espiritual é um dos sintomas do que está sendo vivido e como acontece. O Papa Francisco chama a atenção para o problema; por isso, muitos não o aceitam. A questão não está só no projeto eclesial, mas também no pessoal que muitos não querem aceitar.

É tempo de discernimento. Vamos aprofundar e discutir essas questões sim. Será para o nosso maior bem e o do povo de Deus. Se não cuidarmos uns dos outros, não teremos condições de ajudar a ninguém. Que o Espírito Santo nos conceda sabedoria e desejo de mudanças pessoais e estruturais. Assim o seja!

Pe. Matias Soares

Por Redação Catholicus

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