Processo de canonização de Guido Shäffer caminha a passos animadores
Guido Shäffer

A história de Guido Shäffer, médico, seminarista e surfista que pode se tornar o primeiro santo ‘carioca’

Se você acha que no Rio de Janeiro ninguém é santo, pense melhor. Em breve, um médico seminarista e surfista, que morreu de forma trágica, no mar, aos 34 anos, pode ser tornar o primeiro santo da Igreja Católica nascido no Rio.

Guido Schäffer era tecnicamente volta-redondense, mas foi muito cedo para Copacabana, bairro carioca onde foi criado. Morto há dez anos, aos 34 anos, de forma trágica, no mar, à ele são atribuídos milagres e curas. Uma legião de fiéis passou a pedir sua canonização. Seus defensores inclusive acreditam que a imagem de um santo carioca, jovem e esportista, pode ajudar a Igreja a se reconectar com o público mais jovem.

Surfista morreu afogado em 2009 e é candidato a se tornar santo  — Foto: Arquidiocese / Divulgação
Foto: Arquidiocese / Divulgação

Seu processo de canonização, aberto em 2015 no Vaticano, embora não tenha prazo para ser concluído, caminha a passos animadores.

Se vier a se tornar santo, Schäffer será provavelmente um dos mais mundanos. Criado em Copacabana, em uma família de classe média, pai médico e mãe dona de casa, ele foi o irmão do meio, entre Angela e Maurício.

“Nossa infância foi muito feliz em Copacabana. Guido sempre gostou da praia, de brincar com bola, de super-heróis como o Hulk e tinha bastante amigos do colégio e da praia”, lembra a irmã mais velha.

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Desejo de ser santo

Parece uma ideia precoce. Quando começou a frequentar um grupo de oração, a ideia de santidade não era algo estranho para Guido Schäffer.

“Lembro bem de inúmeras vezes ele desejar ser santo. Uma vez ele contou de um sonho que teve, acho que quando tinha seis anos de idade, no qual aparecia uma multidão de jovens que o seguia, e ele os levava para Jesus”, lembra Sabrina Aleixo, que o conheceu na adolescência.

Em busca de dois milagres

Hoje, Guido Schäffer é considerado pela Igreja um Servo de Deus, primeiro título que se recebe num processo de canonização. O próximo título que deve vir em breve é o de Venerável, quando o processo conclui que a pessoa viveu as virtudes cristãs de forma heroica, ou que sofreu realmente o martírio. O terceiro título é o de Beato, quando se comprova a existência de um milagre obtido pela sua intercessão. O último e mais importante é o de Santo, quando um segundo milagre é identificado.

“Quando é chamado de Venerável, a causa já ganha dimensão pública. Com a realização de um milagre, a pessoa já pode ser venerada publicamente em sua base ou Igreja local. Com mais um milagre e a canonização, ela pode ser venerada em qualquer parte do mundo católico”, explica o padre Valeriano dos Santos Costa, professor da Faculdade de Teologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Mas o processo é lento – e difícil. A comprovação dos milagres passa por uma junta médica. Precisa ser atestado cientificamente que determinada cura não poderia ter se dado de outra forma senão pelos mistérios da fé.

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Mais vivo do que nunca

Partes da memória de Guido Schäffer estão espalhadas pelo Rio de Janeiro. O trecho de cerca de 140 metros de praia onde ele costumava surfar, no Recreio dos Bandeirantes, e onde sofreu o acidente fatal, passou oficialmente a se chamar Praia do Guido ano passado.

Desde 2016, o trecho da praia também abriga todo dia 1 de maio uma missa em memória de seu aniversário de morte. Missa promovida pela Associação Guido Schäffer, presidida pelo padre Jorjão e sediada na igreja Nossa Senhora da Paz, para onde seus restos mortais foram em 2015 e onde, desde então, recebem velas, flores, devotos e depoimentos surpreendentes.

Um memorial com seu nome, mantido pela família, foi inaugurado em março deste ano. Está situado na Santa Casa da Misericórdia, no centro, onde Guido foi estagiário, residente e médico-assistente. O grupo de orações que ele fundou na igreja de Ipanema, o Fogo do Espírito Santo, voltou a se reunir há quatro anos, agora no colégio São Paulo, no mesmo bairro.

O reconhecimento da santidade de Guido Schäffer tem um simbolismo para a Igreja Católica que vai muito além da orla carioca. Há neste processo a importância da representação, para a Igreja, e da permanência do legado, para a família e os amigos.

Roupas usadas por Guido Schäffer ficam expostas em memorial na Santa Casa de Misericórdia — Foto: Memorial Guido Schäffer
Foto: Memorial Guido Schäffer
Com informações de G1

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