Pe. Sandro Ferreira

O presbítero “tirado do meio dos homens é constituído em favor dos homens em suas relações com Deus. Sua função é oferecer dons e sacrifícios pelos pecados. É capaz de ter compreensão por aqueles que ignoram e erram, porque ele mesmo está cercado de fraqueza. Pelo que deve oferecer sacrifícios tanto pelos pecados do povo quanto pelos seus próprios. Ninguém, pois, se atribua esta honra, senão o que foi chamado por Deus” (Hb 5,1-4). Nesta passagem bíblica encontramos diversos elementos que nos auxiliam a compreender melhor o modo como o presbítero deve ser líder e servidor de uma comunidade. Primeiramente, devemos ter presente que o padre é um cristão, ou seja, alguém que se encontrou profundamente com Jesus Cristo e se deixou seduzir e conduzir por Ele, colocando-se no seu caminho, como discípulo.

 

O compromisso

O presbítero deve ter à frente a pessoa de Jesus Cristo Bom Pastor, modelo de evangelização e mestre na oração. Por isso, deve privilegiar os lugares de encontro com o Senhor, e ter uma profunda intimidade com a Sagrada Escritura, por meio da Lectio Divina, pois deve sempre estar “faminto de ouvir a Palavra do Senhor” (Am 8,11); deve dar especial atenção à Eucaristia, experiência fundamental do encontro do discípulo com Jesus Cristo. A Eucaristia é a fonte permanente e o ápice para o qual tendem o ministério e a vida do presbítero. Da ação de graças, do serviço do altar (Hb 7,13), da doação gratuita do Cordeiro de Deus emerge a energia missionária da Eucaristia e a consistência da missionariedade do presbítero (DAp, 247-251).

Ao presbítero é confiada uma comunidade paroquial. Ele deve zelar pelo bem pastoral e espiritual deste grupo de pessoas, sobretudo no testemunho da caridade. A caridade pastoral é o eixo integrador de toda a vida e ministério do presbítero. Em suas atividades deve ser revelada a atitude do Bom Pastor que veio para dar vida em plenitude a todas as suas ovelhas (cf. Jo 10,10).

 

O ministério

O capítulo 18 do Evangelho de Mateus apresenta uma síntese do que deve marcar a vida e as relações dos presbíteros: a importância do serviço aos outros, a força do testemunho e o risco do escândalo, o cuidado com as ovelhas desgarradas, a correção fraterna, a oração em comum, o perdão e a misericórdia (Mt 18,1-35).

O ministério presbiteral é um dom de Deus para a vida da Igreja. Seu exercício torna presente e sempre nova a presença de Cristo em meio à humanidade. Em meio a esta realidade o padre destaca-se por ser sinal da presença de Deus na vida das pessoas, um elo entre o humano e o divino, um homem de Deus. Sua consagração e doação estimulam os cristãos a viver o projeto salvífico de Deus de forma autêntica e coerente.

Os padres, acima de tudo, devem ser modelo e testemunho em meio à comunidade. Sua atividade pastoral deve ser caracterizada pelo serviço generoso e comprometido com a realidade do povo. Deve seguir o exemplo do próprio Cristo no gesto do lava-pés: “Dei-vos o exemplo, para que façais assim como eu fiz para vós” (Jo 13,15). Portanto, percebe-se que o melhor líder é aquele que se coloca a serviço.

 

 

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Pe. Sandro Ferreira é Mestrando em Teologia pela PUC/PR e Sacerdote na Arquidiocese de Maringá/PR.

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