Se o mal estiver vencendo, busque o bem!
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O mal existe, por isso devemos buscar o bem

Buscai o bem, não o mal, e vivereis; e o Senhor Deus dos exércitos estará convosco, como o dizeis. Detestai o mal, amai o bem, fazei reinar a justiça nas vossas assembleias. Talvez, então, o Senhor, o Deus dos exércitos, tenha piedade do que resta de José! (Amós 5,14-15).

Quando olhamos ao nosso redor, presenciamos muitas situações de violências, agressões, roubos, assassinatos, vandalismos, injustiças etc., causando o sentimento de que o mal parece dominar a nossa realidade e o coração das pessoas. A indiferença, a exploração, o egoísmo, a escravidão são consequências de uma sociedade que alimenta este mal. Tudo isso nos faz questionar a relação entre o bem e o mal que nos envolve.

Em certas situações, “parece-nos que quem pratica o mal cresce na vida, e quem busca viver no bem não progride”, esses são questionamentos que, continuamente, ouço nas conversas. Posso dizer-lhes que concordo com alguns pontos acima suscitados. Que o mal é algo que suscita em nós e em vários tempos questionamentos e indagações sobre a sua origem, efeitos e consequências; e que não podemos negar que a violência esteja presente em nossa sociedade e que fere as pessoas em suas várias dimensões (física, psicológica, espiritual, etc).

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O pecado é a manifestação do mal

A presença do pecado é sinal concreto da existência do mal. Para melhor entendermos o pecado, precisamos confrontar com a realidade que envolve o ser humano. Dentro dessa realidade, não podemos negar a presença do mal que perturba a sociedade e as diversas ciências. O mal existe, está aí e nos influencia. De onde vem esse mal? Essa pergunta ultrapassa tempo e espaço, perpassa toda história do homem e as diversas ciências vêm tentando dar uma resposta. Foram várias as reflexões na filosofia, teologia e outras ciências. Todas as tentativas ainda não conseguiram dar toda a resposta para este mistério que deixou e deixa estudiosos ainda com interrogações. O mal rege os problemas que atormentam nossa sociedade. O mal nos desafia e sempre nos desafiou. É um mistério que ultrapassa toda e qualquer tentativa de explicação e justificação. É no relacionamento entre o ser humano e o seu ambiente que o mal está situado. As tentativas de explicação apresentam questionamentos, confrontos, limites etc.

O questionamento é o seguinte: Deus criou tudo bom, é o que afirma o livro do Gênesis 1,31: “E viu, Deus, que era bom tudo quanto havia criado”. E Paulo afirma em sua carta a Timóteo, “Toda criatura de Deus é boa” (1Tm 4,4a). Portanto, de onde vem o mal? O que é o mal? Até quando o mal vai agir?

O Catecismo da Igreja Católica, nos números 309 e 310, faz questionamentos: “Se Deus Todo-Poderoso, Criador do mundo ordenado e bom, cuida de todas as suas criaturas, por que existe o mal? Mas por que Deus não criou um mundo tão perfeito, que nenhum mal nele pudesse existir?” Os mesmos números nos apresentam as possíveis respostas. É o conjunto da fé cristã que determina a resposta a tal questão: a bondade da criação, o drama do pecado, o amor paciente de Deus que vem ao encontro do homem por suas alianças, pela encarnação redentora de seu Filho, pelo dom do Espírito Santo, pela união da Igreja, pela força dos sacramentos, pelo chamado a uma vida bem-aventurada.

“No seu poder infinito, na sabedoria e bondade infinitas, Deus quis livremente criar um mundo “em processo”, a caminho da perfeição última. Essa evolução supõe, segundo o desígnio de Deus, a aparição de certos seres e o desaparecimento de outros, o mais perfeito e o mais imperfeito, tanto a construção da natureza como a destruição. Com o bem físico existe também o mal físico, enquanto a criação não houver atingido sua perfeição”.

Sejamos vigilantes

A existência do mal não significa o seu domínio, mas nos chama à atenção para a necessidade da vigilância e que o mal ainda está aí, precisa ser combatido, eliminado do nosso meio. No Novo Testamento, fica claro que a existência do mal deve ser tomada a sério, sobretudo na forma de pecado. As ações de Jesus focalizam a luta concreta contra o mal. A cura dos doentes, o perdão dos pecados, a ressurreição dos mortos, a tentação no deserto, etc., revelam a vitória de Jesus sobre o mal e também a atitude que devem adotar Seus discípulos perante o mal moral.

“O que sabemos é que o mal está aí como desafio, e que a responsabilidade de fazê-lo progredir ou regredir é do ser humano. Quando o homem ajuda a progredir o mal ele peca” (CIC, no 310). No mundo, temos muitas oportunidades de praticar o mal. Somos livres. Mas, com certeza, temos mais oportunidades ainda de praticar o bem. É questão de tomar consciência. Vai prevalecer quem você alimentar: o bem ou o mal.

O problema da sociedade é que as pessoas e os meios de comunicação social enfatizam muito mais o mal, a “desgraça”, a tragédia, mas deixam de falar bem sobre o bem. Não divulgam as obras de bondade e, por isso, temos a impressão que o mal está vencendo, que as trevas estão dominando a luz. Isso não é verdade! A luz é mais forte, porque o próprio Jesus é a Luz (Jo 8,12) que veio ao mundo e venceu, ressuscitou.

Jesus venceu o mal

Ao morrer na cruz, Jesus já venceu o mal, até mesmo a morte. A bondade humana prevalece com Cristo: “Onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Rm 5,20). Deus intervém para libertar o ser humano do mal, especialmente quando este é fruto do pecado e das suas consequências. O apóstolo Paulo, em seus escritos, mostra-nos que a vitória sobre o mal só é possível com a presença e a atuação de Jesus e sua graça.

O Espírito de Deus que habita em nós é graça que vem em socorro de nossas fraquezas, por isso todos os batizados têm a força que vem de Deus e podem vencer o pecado. A cada pecado que cometemos é o mal que ganha espaço, que vence, mas quando praticamos o bem e evitamos o mal, a graça de Deus vence e ganha espaço.

Como Pedro (Mt 16,17-18), devemos também nós ter os pensamentos de Deus, pois só assim seremos pedras de construção do Seu Reino. A pessoa precisa agir de forma a buscar fazer com que o bem sobressaia ao mal. Aquele que acredita na vitória de Jesus é capaz de permanecer firme na luta contra toda forma de maldade presente no mundo. Este não desanima, e acredita que quem perseverar até o fim vai vencer plenamente com Cristo.

Fonte: Canção Nova
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