Secretaria Paroquial: missão e arte da acolhida na administração paroquial
Cassiana S.B. Moura

Cassiana S.B. Moura é graduada em Secretariado Executivo, atua profissionalmente na Paróquia Cristo Rei, Diocese de Toledo/PR, e em sua pesquisa para a sua conclusão de curso, buscou elucidar pontos importantes sobre plano de cargos e salários para o secretariado paroquial. Ela foi uma das participantes do Conaspar nas duas edições, e nesse artigo, publicado pelo informativo da paróquia nesse mês de fevereiro, ela apresenta um breve resultado dessa análise muito bem apresentada e explicada. Leia com atenção:

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Quando buscamos conhecimento, e nos colocamos na posição de aprender, o resultado pode ser surpreendente!

Dessa forma posso descrever uma trajetória de 4 anos no curso de Secretariado Executivo da Universidade Estadual do Oeste do Paraná – UNIOESTE/Campus de Toledo, juntamente ao serviço na secretaria paroquial. A motivação foi à busca em ser melhor como pessoa e consequentemente servir melhor na secretaria paroquial. Durante esse processo de formação cheguei ao conhecimento do Congresso Nacional para Secretários paroquiais – CONASPAR, que busca auxiliar e capacitar os serventes paroquiais, que são uma extensão do trabalho pastoral de toda a Igreja. Desde então, ficou um questionamento, que passou a ser meu problema de pesquisa: um plano de cargos e salários pode contribuir para o desenvolvimento e organização da paróquia e ao mesmo tempo ser de incentivo aos seus colaboradores?

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Foi um período de discernimento a partir das constatações, diálogos com os colegas de trabalho e orientadora da disciplina, como também do conhecimento dos padres a respeito desse assunto através de mais de 150 questionários enviados á várias paróquias de todos os estados brasileiros, que possibilitou iniciar um trabalho objetivando conhecer realidades praticadas em paróquias do Brasil.

Fazendo uma pesquisa bibliográfica percebe-se que a preocupação já é fato entre o clero e os leigos que circundam nossa Igreja, como afirma, Neto e Ferreira (2011, p. 16) “não existe a pretensão de priorizar a gestão e inferiorizar a espiritualidade, mas articular de uma maneira satisfatória estes dois pilares. Percebe-se que nos dias atuais uma organização cristã sem gestão fracassa e se lhe faltar a espiritualidade se esvazia”.

Em uma entrevista não estruturada, com o então secretário da Cúria diocesana de Camaçari/BA e também palestrante do CONASPAR, André Luiz Moreira, pode-se observar que algumas dioceses não possuem condições de estabelecer um plano de cargos e salários, haja vista que não sustentam as necessidades básicas de uma comunidade e, quando muito, conseguem contratar 2 ou 3 funcionários. No entanto, muitas paróquias, possuem condições e adequado investimento na área de gestão.

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A Diocese de Joinville em Santa Catarina é uma referência nesse quesito. Em vista disso, foram feitos contatos por e-mail ao qual se constatou que a mesma, detém um plano de cargos e salários e política de carreira praticados na Cúria Diocesana e consequentemente em suas paróquias.

A pesquisa aponta com clareza que organizações do terceiro setor, necessitam cada vez mais investir em administração adequada e eficaz, acompanhando as exigências de um novo tempo que demanda aprimoramento em todas as tarefas. Um dos padres respondentes enfatiza, “A secretaria paroquial é o cartão de visita da paróquia, se a mesma não é organizada, objetiva e atenta, toda a comunidade sofre”.

Em outras palavras o trabalho em uma secretaria paroquial é realmente uma missão, tendo em vista que se tem a responsabilidade de acolher e dar os encaminhamentos necessários a comunidade que por ali se aproxima. Tem-se como a porta de entrada da igreja, e cada vez mais esse trabalho precisa ser reconhecido e valorizado, bem como, precisa ser desempenhado por pessoas capacitadas e com habilidades específicas.

Muitas são as indagações que ainda permeiam e instigam a reflexões mais profundas, como a necessidade de manter formações frequentes aos secretários paroquiais; um plano de cargos e salários que provenha da Cúria Diocesana, trazendo equilíbrio interno e externo a organização; que os seminaristas tenham em sua formação noções em administração e gestão de pessoas, entre outras.

Este trabalho ultrapassou em mim, o ser cidadã e cristã católica, transformou positivamente minha maneira, de crer na instituição Católica, como organização que atua no mundo em busca do bem comum. Da mesma forma como a fé viva, que precisa da ação, para desenvolver e atuar na humanidade, por meio da capacidade de cada indivíduo de ir além de si mesmo, em prol do outro. Em uma frase de Santa Teresa de Calcutá, defino os frutos dessa pesquisa: “Todas as palavras serão inúteis se não brotarem do fundo do coração. As palavras que não dão luz aumentam a escuridão”.

Cassiana S.B. Moura é Graduada em Secretariado Executivo, UNIOESTE/Campus de Toledo, Paróquia Cristo Rei – Catedral/PR.

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