Seminarista esportista pode elevar à categoria de santo por Vaticano

Grupos de oração se espalham em praias do Rio em homenagem a seminarista esportista que Vaticano pode elevar à categoria de santo

Multiplicam-se no Rio de Janeiro grupos de orações que se reúnem à beira-mar. Eles celebram a vida de um seminarista carioca que pode se tornar o primeiro santo surfista da Igreja Católica depois que o Vaticano concordou em iniciar processo que pode resultar em sua canonização. Guido Schäffer (1974-2009) morreu afogado após um acidente enquanto surfava no Recreio dos Bandeirantes.

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O surfista estudou medicina, cuidou de pobres e enfermos nas ruas do Rio, distribuiu afagos indiscriminados e palavras de fé e arregimentou jovens das praias para as liturgias dominicais. É forte candidato à santificação, num processo que ainda pode demorar cinco anos. Toda a extensa documentação e os testemunhos sobre sua vida já estão no Vaticano. Falta a comprovação dos chamados milagres. O rapaz franzino que morreu aos 34 anos é um exemplo especialmente entre os jovens, e os grupos de oração inspirados nele se ampliam em paróquias da Zona Sul da cidade.

Multiplicam-se no Rio de Janeiro grupos de orações que se reúnem à beira-mar. Eles celebram a vida de um seminarista carioca que pode se tornar o primeiro santo surfista da Igreja Católica depois que o Vaticano concordou em iniciar processo que pode resultar em sua canonização. Guido Schäffer (1974-2009) morreu afogado após um acidente enquanto surfava no Recreio dos Bandeirantes.

O surfista estudou medicina, cuidou de pobres e enfermos nas ruas do Rio, distribuiu afagos indiscriminados e palavras de fé e arregimentou jovens das praias para as liturgias dominicais. É forte candidato à santificação, num processo que ainda pode demorar cinco anos. Toda a extensa documentação e os testemunhos sobre sua vida já estão no Vaticano. Falta a comprovação dos chamados milagres. O rapaz franzino que morreu aos 34 anos é um exemplo especialmente entre os jovens, e os grupos de oração inspirados nele se ampliam em paróquias da Zona Sul da cidade.

Schäffer era contemplativo, disse o pai, Guido Manoel Vidal Schäffer, de 81 anos. Nem nas férias deixava de comungar, emendou a mãe, Maria Nazareth França Schäffer, de 69 anos. Uma criança que ria e zombava, um adolescente como qualquer outro. Bom de surfe e de bicicleta. Caridoso, carregava sempre a malinha de médico. Era incapaz de uma indelicadeza ou de levantar o tom de voz, garantiu o pai. Mas sabia dizer “eu quero”, reforçou a mãe, no apartamento onde vive o casal, repleto de lembranças guardadas a poucas chaves. Quem chega pode ver. E ouvir os muitos casos de graças que teriam sido concedidas pelo filho Rio afora.

A moça que não podia, mas tantas preces fez que engravidou. O paciente cardíaco que esteve entre a vida e a morte, mas recuperou os movimentos ainda no hospital; o rapaz que tinha tumor no estômago e foi curado; a senhora que viu sumir um caroço no peito. Dona Maria Nazareth, católica fervorosa, enfileirou os casos. Veio dela o apreço do filho às homilias. “A pregação de Guido parecia uma sinfonia de Beethoven. Não havia uma nota destoante”, elogiou ela.

“Conheci meu filho depois de morto. Hoje, acho maravilhoso ver quanto as pessoas sentem, procuram e obtêm uma graça. Eu senti a dor da perda. Mas, diante do que vi, me calei. E aceitei que a santidade estava nele”, refletiu o pai, que também é médico e pouco fala porque ainda engasga. “Não havia céu cinza para aquele menino de tão bom coração”, reforçou ele sobre os tão elogiados bom humor e sorriso franco do rebento.

Schäffer queria ganhar almas. A identificação com sua história ajuda a atrair jovens para a religião. “A inspiração é direta”, disse a advogada Mônica Andrade, de 29 anos, uma das organizadoras de um mutirão semanal para distribuição de comida a moradores de rua. Inspirado no trabalho da Casa das Missionárias de Madre Teresa de Calcutá, que serve comida a moradores de rua todos os dias, no bairro carioca da Lapa, o projeto Comida no Prato, Coração na Mão reúne 150 voluntários e sete coordenadores que se revezam todas as noites de quarta-feira para distribuir até 200 quentinhas. Em quatro rotas, eles se dividem entre a Zona Sul e o centro da cidade. “A caridade era um tema caro a Guido”, Andrade celebrou, unindo as mãos, o projeto que já tem três anos.

Em 2015, o processo de beatificação e canonização foi aberto oficialmente pela arquidiocese do Rio. A causa tem um custo, mas pouco se sabe sobre as cifras. Uma associação, coordenada pela mãe e pelo padre Jorjão, trata de divulgar e arrecadar fundos para que a candidatura vingue. Saem de lá os santinhos e terços que são distribuídos aos fiéis e novos devotos. Só em 2017, 44 mil santinhos, 2.100 terços e mais de 13 mil relíquias chegaram a 19 estados brasileiros e a outros sete países. É a associação também que organiza eventos e vigílias em torno da imagem de Schäffer, como o que ocorre na praia todo 1º de maio e que virou ponto de romaria. Schäffer pode vir a ser um santo de típico estilo carioca, chinelo de dedo e prancha na mão. Mas não será um santo meramente da cidade. A devoção ao surfista já está além-mar. Há admiradores em países como Croácia, Japão, Itália, Alemanha, Polônia, Portugal, Canadá e Estados Unidos.

Guido Schäffer morreu afogado quando surfava no Recreio, em 2009 (Foto: ARQUIDIOCESE/DIVULGAÇÃO)
A imagem do santo surfista com sua mãe ao fundo: “A pregação dele parecia uma sinfonia de Beethoven“ (Foto: BÁRBARA LOPES/AGÊNCIA O GLOBO)

Fonte: Época

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