Pioneira nos festivais de música cristã, Tia Lolita evangeliza jovens em Franca há 30 anos
Tia Lolita | Foto: Divulgação

Maria Teodora Lemos Silveira, a tia Lolita, de 86 anos, foi a responsável em fundar o Hallel, um dos principais eventos de música cristã no Brasil

Às vésperas de completar 86 anos, Maria Teodora Lemos Silveira tem na cabeça todos os detalhes do Hallel. Esse é um dos principais eventos de música cristã do país. Desde sexta-feira (6), é tia Lolita, como é carinhosamente chamada, que coordenou centenas de voluntários na acolhida de milhares de fiéis, em Franca (SP).

Por meio de sua iniciativa, o festival foi fundado em 1988. Três anos antes, havia acontecido a primeira edição do Rock in Rio. Naquele contexto, tia Lolita diz ter sentido um chamado divino para tocar o coração da juventude, mas de outra forma por meio da música. Saiu o lema ‘sexo, drogas e rock and roll’. Entrou o louvor a Deus.

Em entrevista ao G1, tia Lolita afirma: “O senhor me deu uma visualização de muitos jovens curtindo música a céu aberto. Jesus colocou no meu coração que os jovens eram dele, mas para falar do verdadeiro sentido da vida, que é paz, alegria e amor. O Hallel é um promotor de jovens que descobrem a beleza de cantar para Deus”

A princípio, o que era apenas para comemorar uma data, se tornou um divisor de águas e abriu caminho para a realização de festivais nos quatro cantos do país em celebração à fé.

Tia Lolita ao lado do padre Marcelo Rossi durante edição do Hallel, em Franca, SP — Foto: Igor do Vale
Foto: Igor do Vale

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Trajetória de tia Lolita na igreja

Casada com Mauro e mãe de cinco filhos – Marina, Marcelo, Marcos, Marisa e Mauro -, tia Lolita sempre foi atuante na igreja. Trabalhava na confecção de roupas e frequentava as missas. Também participava do cursilho, um movimento que desperta lideranças dentro do evangelho. Era integrante de grupos de casais e de oração.

Quando passou à coordenação da Renovação Carismática, queria que o aniversário de dez anos do movimento católico fosse comemorado de forma diferente, em Franca. Os filhos todos estudavam música e alguns já trabalhavam na noite, tocando em barzinhos.

Preocupada com influências que pudessem atuar de forma negativa na vida deles, tia Lolita admite que uniu o útil ao agradável.

“A intenção era comemorar o aniversário, mas a minha intenção pessoal era de que os meus filhos tocassem para o senhor. Eles tocavam na noite e Jesus me atendeu demais. Hoje, os cinco trabalham comigo em Hallel e na igreja, são missionários. É uma graça especial”, afirma.

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Pioneirismo

Após conversas com a família e com o bispo na época, Dom Diógenes Silva Matthes, o festival começou a ganhar forma. No entanto, não havia um formato no qual tia Lolita pudesse buscar referências para torná-lo realidade.

“Não tinha modelo para copiar. O meu marido é engenheiro e ele falava assim pra mim: ‘Lolita, ninguém pode subir nesse palco porque vai cair’. Os meus meninos que martelaram as tábuas. Ainda não eram bandas católicas porque nem existia. A gente pegou os meus filhos que tinham banda e eles mudaram o repertório para tocar música de igreja”, lembra a aposentada.

A primeira edição reuniu cinco mil pessoas, público que surpreendeu as expectativas dela e dos outros envolvidos na organização. O resultado foi tão bom que o festival ganhou a segunda edição no ano seguinte.

A palavra “hallel” tem origem no aramaico e quer dizer cântico de louvor ao senhor.

Jovens participam do festival de música cristã Hallel, em Franca, SP  — Foto: Igor do Vale
Foto: Igor do Vale
Missão evangelizadora

Empolgada com a receptividade do público na primeira edição, tia Lolita buscou concretizar um plano para ampliar a evangelização de jovens. No mesmo ano, entrou em contato com a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Sendo assim, recebeu orientação do padre Jorge Boran para desenvolver um trabalho especial, seguindo critérios da instituição católica.

Hoje, o Hallel é também uma escola de evangelização. O projeto conta com uma sede rural. Lá funciona os acampamentos, e uma sede urbana, onde são reunidos os grupos de perseverança, formação e preparação.

Com informações de G1

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