Munique, 1972. Numa das páginas mais negras da história olímpica, os atletas de Israel foram alvos de atentado terrorista e, num plano fracassado de resgate, todos acabaram morrendo. O incidente marcou a história do movimento olímpico e, desde então, a segurança do evento passou a ser uma das prioridades do COI.

Mas, 44 anos depois, uma pergunta ainda ronda muitos no movimento olímpico: qual motivo levou o COI e os organizadores de Munique a manterem o evento?

Documentos confidenciais guardados pelos arquivos nacionais de Israel revelam que, além da crise que tinham de lidar, um dos debates mais acalorados se referia à continuação ou não do evento na Alemanha.

Num dos telegramas diplomáticos encontrados nos arquivos, constata-se algo surpreendente: o COI e os organizadores alemães decidiram que interromper o evento em 1972 poderia atrapalhar as operações policiais em curso. Mas outro motivo também foi apresentado: a TV alemã que havia pago milhões para mostrar a Olimpíada não tinha um plano B para colocar no ar uma programação alternativa.

Seis horas depois do início da crise, um telegrama enviado pela embaixada de Israel em Bonn para a cúpula da chancelaria israelense em Tel Aviv explicava os bastidores de uma reunião mantida entre então presidente do COI, Avery Brundage, e o governo alemão.

Eis a tradução do documento de 5 de setembro de 1972:

“Foi decidido não interromper os Jogos. Os motivos: 1. a possibilidade de que pará-los possa atrapalhar os esforços da polícia (de resgatar os reféns). 2. A televisão alemã não tem alternativas à programação”.

Outros documentos também mostram a dificuldade das autoridades de Israel em lidar com a crise. O sequestro havia ocorrido em território estrangeiro e uma solução caberia ao Ministério do Interior da Alemanha. Os terroristas eram de outra nacionalidade. Mas as vítimas eram israelenses.

Num dos relatos revelados pelo arquivo do governo de Israel, o então chefe do serviço secreto, Zvi Zamir, acusa os alemães de “incompetência” e de não ter feito “o mínimo esforço para salvar vidas”. Mas os documentos também revelam que Israel também não se preparou para proteger seus atletas no exterior.

Para completar, uma constatação: o governo alemão, antes do evento de 1972, ignorou os alertas de eventuais ataques terroristas durante o evento.

Valiosos ensinamentos. Para todos.

Fonte: ESPN

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