Um manifesto CONTRA as abordagens em FÓRMULA LANÇAMENTO

Certa vez escrevi uma reportagem para a #RevistaParóquias, publicação que tive a honra de editar por uns cinco anos e que é voltada à gestão eclesial. Marketing até então, era uma palavra usada com moderação naquele ambiente, por isso procuramos “traduzir” o anglicismo para poder ajudar leigos e religiosos a gerir seus compromissos de gestão com maior competência. A reportagem Sem tradução para o Português foi atrás de sumidades no assunto, como Alex Periscinotto e vários professores de eminentes instituições de ensino, no intuito de tentar traduzir para as boas práticas de gestão, essa palavrinha que anda sendo traduzida de qualquer jeito há mais de 60 anos, no Brasil.

Sem que o mercado tenha terminado a tradução efetiva do Marketing em sua essência, deparo com mais uma versão subvertida do nosso gringo… Trata-se do Marketing Digital, uma modalidade que vem ganhando escala na web e claro, com suas infinitas possibilidades, tem sido subvertido por vorazes “marqueteiros” de plantão. Veja o que diz o Professor Antonio Cosenza, da FGV, naquela reportagem:

“A gente ouve falar em “marqueteiro”, como definição errônea do profissional de Marketing no âmbito político, que passa a idéia de “marreteiro”, ou seja, aquele que vende qualquer coisa e de qualquer forma, ou ainda de “maquiador”, que engana, muda os sinais aparentes das coisas para ludibriar o público-alvo… Não é à toa que a palavra Marketing, analisada sob esse foco completamente distorcido, causa arrepios à Igreja, como também provoca aversão a qualquer indivíduo ético, sendo ele público-alvo ou um gestor de uma empresa ou instituição”.

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E daí vêm os “maquiadores” produzir conteúdos por meio de uma técnica marreteira, que é a Fórmula Lançamento, como plano de MKT Digital. A maioria não conhece essa definição, mas farei uma descrição rápida. Geralmente é um “guru” autodenominado que vem a público pelo YouTube, com uma saída incrível e inédita. Ele começa a falar com você na primeira pessoa, diz que vai te dar o mapa do tesouro, o Santo Graal, a fórmula da juventude ou como emagrecer sem parar de comer, e daí começa uma narrativa que volta à infância do cara, relata detalhes minuciosos de como ele se relacionava com a mãe, o pai , a escola… Uma pitada de drama barato e o vídeo prossegue tantricamente por mais 10, 20 , 30 minutos sem efetivamente dizer a que veio. Confesso que nunca assisti a nenhum até o fim. Dia desses recebi um vídeo assim da Polishop e só parei para ver um pouco porque veio a pedido de uma amiga. Depois de 3 minutos eu avisei a ela que eu não tinha 20 minutos para saber como o dono da Polishop empreendeu e nem como isso poderia “mudar” minha vida. Chega!

O que me chamou a atenção é que uma empresa próspera como a Polishop comprou essa estratégia de MKT digital e a incorporou em suas expressões na web, ou seja, os marreteiros do MKT digital são bons de venda.

Eu sou jornalista e tenho uma agência de Gestão da Comunicação e JAMAIS recomendaria a meus clientes uma prática dessas para expressão de marca e viralização na web. Cada um dos meus clientes merece ser tratado com respeito e tem o dever de tratar seus públicos com respeito. Em um curso que fiz com o fantástico Gil Giardelli na ESPM, ele disse que as diferentes expressões da web refletem a cultura da empresa. Concordo em gênero e grau com o mestre, porque eu só vou expressar aquilo que me é elemental, ou seja, minha essência. Portanto, se eu quero que me reconheçam pelo meu valor, que essa expressão seja o reflexo da verdade.

Aqui me parece o “oceano azul” das expressões na web e do Marketing Digital. Conteúdos verdadeiros, sem pegadinha pra reter audiência, mensagens exclusivas e pautadas na essência da empresa são o lastro para uma boa estratégia de Marketing Digital. Quem tem conteúdo não precisa de “pegadinha” para se expressar. Quem não tem, que se farte com esse maldito modelo de #FÓRMULA LANÇAMENTO!

E AQUI VAI UM RECORTE DO ENUNCIADO DA REPORTAGEM:

“…Ele chegou ao Brasil há pouco mais de meio século, se expressando com sotaque inglês e migrou em missão e a serviço das empresas norte-americanas e europeias que começavam a se instalar por aqui. Seu nome jamais conseguiu ser traduzido para o português e, talvez por isso, tenha carregado em seu histórico uma coleção de estigmas e equívocos especulativos em relação a seu papel, seu principal foco e seus objetivos finais.

O nome do gringo é “Marketing” e tal como as demais demandas da comunicação, como o Jornalismo na forma que o conhecemos hoje e a Assessoria de Imprensa, por exemplo, surgiu nos Estados Unidos no início do século XX. As primeiras ações e atividades acadêmicas em torno da proposta de “vender mais”, “ir a mercado”, enfim, impor um movimento a uma ação comercial, tornando um produto, negócio ou ideia mais atraente, precisavam da terminação “ing”, usada para um verbo conjugado no gerúndio, dando a ideia de ação presente, de efetivo movimento….”

Sandra de Angelis
Comunicação Corporativa e Gestão da Comunicação na Edge Mídia

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