O medo de associações mercantilistas afasta muitos religiosos de conhecer os fundamentos do marketing e utilizá-los em favor de sua comunidade

“Marketing e Igreja” lhe causaram uma exclamação? Pois bem, este título foi pensado justamente para discutir com você, a associação dessas duas palavras e provocar uma reflexão sobre o que o Marketing tem a ver com a sua igreja ou paróquia.  A ideia não é abrir uma oportunidade de levantar questões que afetam as igrejas, paróquias e comunidades religiosas, analisá-las sob o ponto de vista do Marketing, e propor soluções práticas, levando em conta a realidade brasileira.

Os Padres e Religiosos(as) são obrigados a desviar suas competências evangelizadoras para dedicar parte preciosa de seu tempo em atividades como administrar e angariar recursos para pagar as contas, administrar funcionários e ainda saber que sua vocação e atividade principal enfrentam diariamente a concorrência das novelas na TV e das seitas mercantilistas que vendem a salvação à prestação.

O mundo está aí, com todas essas características e é importante que haja maior entendimento do Marketing, como mais um item que originalmente não estava no escopo da sua vocação, mas que agora, mais do que nunca, deve ser usado com inteligência estratégica e como ferramenta para enfrentar tal cenário. A conceito da palavra, no nosso caso, pode ser entendida como “ação sobre a comunidade”. Para os nossos propósitos, podemos dizer que Marketing é o processo de identificar fiéis e suas necessidades, encontrar a melhor forma de atendê-los, conquistá-los e mantê-los satisfeitos, ou seja, retê-los em torno do seu foco: a evangelização na doutrina católica.

É necessário incluir esses itens na sua lista de tarefas extra-vocacionais, e mais, é hora de ganhar fôlego novo e se dispor a mudar algumas abordagens para tornar sua paróquia mais interessante do que os tantos estímulos externos. “Clientes insatisfeitos e desmotivados”, ou no nosso caso, os fiéis, não perdoam.

 As pessoas estão se afastando das igrejas e isso, você sabe, tem várias implicações no seu papel vocacional. Um deles, e que vai impactar diretamente nas ações sociais e no seu trabalho geral é a soma de coletas minguada, pouca participação nos grupos pastorais e de atividades, além de muitos outros que você vive a cada dia e conhece como ninguém.


Então, está na hora de parar para uma reflexão: você conhece bem a comunidade onde atua? Sabe quem são as pessoas, conhece suas famílias, seus problemas e suas necessidades? Tem real proximidade com os seus fiéis? Não digo só estar aberto para ouvi-los quando eles o procurarem, mas recomendo ir até eles, ver a realidade em que vivem para estar junto de suas famílias, em suas casas, em seu trabalho, efetivamente.

A sua presença no coração da comunidade mais do que nunca, é estratégica, para fazer valer o seu projeto de carreira e vocação, que é o de evangelizar, propriamente!

Sabemos hoje que sem a sua presença atuante, qualquer ação será aleatória e representa grande risco de ser mal-sucedida. Agora reflita: será que seus fiéis o conhecem, se identificam e têm acesso a você, liberdade para procurá-lo sempre que precisarem e não apenas quando tiverem necessidade de se confessar?

 Sem esse conhecimento fica difícil haver tal aproximação, identificação, empatia, o que vai tornar tudo o que você faça muito mais difícil. Procure se colocar no lugar dessas pessoas e responda: você prefere conviver e ajudar um desconhecido ou alguém com quem se identifica e conhece seu trabalho, em cuja casa você se sente acolhido? É necessário pensar que muita gente pode ter esquecido que todos serão acolhidos e precisam que você vá até elas lembrá-las de quão importante elas são. O fiel sempre vai relacionar o padre à igreja.

Por Amadeu Castanho, ed. 1 da Revista Paróquias & Casas Religiosas

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